terça-feira, 19 de junho de 2018

A História Vista de Baixo

Por que os historiadores preferem contar uma história vista de baixo?

Existem várias razões para isso! No entanto, penso que a mais importante seja, pelo fato da história do dominador já ser contada cotidianamente pela sociedade.
As classes subalternas têm diariamente sua voz calada pelos agentes que controlam a sociedade civil.
O Estado, em grande medida, está a serviço dessas classes dominantes, assim como parte das instituições religiosas e a grande massa dos meios de comunicação.
Esse discurso dominante, é reproduzido cotidianamente, calando a voz daqueles que estão em condições socialmente desfavoráveis.
Seria patético, o historiador utilizar o seu ofício para apenas reafirmar o discurso dominante; propagado cotidianamente e que é de conhecimento de toda sociedade.
Nesse sentido, o papel do historiador é problematizar. É lançar luz ao que o discurso dominante escamoteou ao longo dos séculos.
É incomodar o status quo daqueles que se sentem intocáveis e têm como interesse, homogeneizar o discurso dominante.
O papel do historiador, dentre outras coisas, é dar voz àqueles que foram calados por séculos, mostrando outras formas de interpretar o mundo, que não seja apenas aquela que foi "ofertada" pelas classes dominantes.


Prof°. Wagner Aragão Teles.
Mestrando em Ensino de História (UNEB).

domingo, 27 de maio de 2018

Os Paneleiros e a Desonestidade Intelectual

É desonestidade intelectual extrema, acusar os eleitores de Dilma por Michel Temer estar no poder.

De fato, quem votou na Dilma, votou no Temer também. Mas votou no Temer para ser vice-Presidente.

Os paneleiros e coxinhas, derrotados nas urnas em 2014, aliados a seu candidato a Presidente Aécio Neves, se articularam  com o Michel Temer e o Eduardo Cunha, para aplicar um Golpe de Estado, traindo assim, a Presidente Dilma e a Democracia.

Quem colocou Temer na presidência foram os paneleiros. Todos sabiam que a queda de Dilma levaria Temer à Presidência. Os paneleiros queriam Temer Presidente!

De que lado os paneleiros estavam em 2014? Quem apoiou Eduardo Cunha no processo golpista? Quem estava do lado de Aécio Neves na deposição da Presidente? Quem gritou Fora Dilma? Quem se fantasiou de verde e amarelo em 2015-2016? Quem tirou foto com os golpistas?

Quem votou em Dilma, votou em Temer para que ele fosse vice-Presidente. Quem colocou Temer na presidência da República foram os paneleiros e coxinhas! Isso não podemos perder de vista.

Não podemos ser desonestos neste momento tão delicado de nossa história. Cada um precisa assumir os seus erros, pois a História cobrará isso de todos nós no futuro.

Wagner Aragão Teles.
-Especialista em História Econômica e Social do Brasil.
-Mestrando em Ensino de História.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Pirotecnia da Polícia Federal na Bahia

Parece piada, mas não é...

A Fonte Nova está entre os estádios mais baratos da Copa de 2014. Os estádios do Rio de Janeiro e de Brasília custaram quase três vezes mais do que o da Bahia. Lembrem-se que a Fonte foi demolida e construída novamente. Ou seja, a obra foi maior e mais complexa do que a da maioria dos outros estádios.

Num estado em que o metrô ficou por 12 anos nas mãos da gestão Imbassahy e João Henrique, sem que se ninguém dissesse um pio sobre os milhões gastos nessas obras, chega a ser patético a pirotecnia da Polícia Federal.

Vale lembrar também, que em apenas 6 anos de obras do metrô nas mãos do PT da Bahia, as suas linhas metroviárias já chegaram em Lauro de Freitas.

Chega parecer canalhice a Polícia Federal fazer ilações sobre as obras da Fonte Nova sem nos dar satisfações sobre os milhões do metrô nas gestões de Imbassahy e João Henrique, e as obras do estádio de Brasília e Rio de Janeiro, que custaram mais de 2 bilhões cada.

Prof.° Wagner Aragão Teles.
Especialista em História Econômica e Social do Brasil.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

A Intervenção Militar no Rio de Janeiro

Alguém acredita que intervenção militar no Rio de Janeiro vai resolver o problema da violência?

Se der certo, na melhor das hipóteses, os criminosos migrarão para outros estados, assim como aconteceu com a invasão do Morro do Alemão anos atrás. O povo da Bahia bem sabe o que essa invasão representou para o estado. Parte dos criminosos migraram para o nordeste e organizaram facções criminosas em regiões relativamente pacíficas e sem histórico de crime organizado.

Violência se combate com emprego, educação de qualidade, esporte e lazer para os jovens e, combate à desigualdade Social.





Prof°. Wagner Aragão Teles.

Especialista em História Econômica e Social do Brasil.

sábado, 10 de fevereiro de 2018

A Nova Faceta do Imperialismo Estadunidense

A partir da crise econômica de 2008, e do consequente acirramento do mercado internacional, os EUA iniciaram um novo grande ataque às empresas estrangeiras, através de espionagem, investigação e condenação jurídica.

Desse modo, as empresas estrangeiras são condenadas por crimes também cometidos por empresas americanas; mas que não são investigadas e condenadas, pois a estratégia é minar a economia dos países concorrentes.

Nesse processo, empresas como a Petrobrás, JBS, Wolksvagem, HSBC, Odebrecht e OAS foram espionadas e atacadas, de maneira a favorecer os interesses de empresas americanas adversárias.

Não estou dizendo com isso, que essas empresas não praticavam os crimes dos quais foram acusados. Não é isso! Sabemos como as grandes corporações funcionam. Em sua grande maioria, é um grande antro de corrupção, sonegação de impostos e evasão de divisas.

O que estou querendo dizer, é que as empresas americanas também cometem os mesmos crimes, e nem por isso, estão tendo suas imagens destruídas e sendo obrigadas a pagarem bilhões de dólares em multas à justiça estadunidense e aos acionistas americanos.

Os EUA encontraram uma nova arma imperialista capaz de atacar eficientemente, os interesses nacionais de países concorrentes, violando em grande medida, a soberania dessas nações. O que está em jogo em todo esse processo não é o combate à corrupção; como está sendo divulgado pela grande mídia. O que está em jogo é o ataque à grandes empresas de outros países -principalmente de países emergentes - e a manutenção da corrupção das empresas americanas, e seu domínio internacional.


Mas o pior de tudo isso, é ver gente bestializada, sem perceber os grandes interesses que estão em jogo em todo esse processo.


Profº. Wagner Aragão Teles.
Especialista em História Econômica e Social do Brasil.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

A Retórica Anticorrupção como Engodo para Enganar Tolos

A retórica da corrupção implementada pela mídia e por parte do judiciário só serve para desviar nossas atenções dos reais problemas do país. A dívida pública e a sonegação de impostos são os nossos maiores problemas, mas a mídia não notícia isso.

Grandes empresas devem quase 500 bilhões de reais ao INSS e pouco se fala na mídia e quase nada o governo faz para recuperá-los. Cerca de 600 bilhões de reais foram sonegados apenas no ano de 2015, principalmente, por grandes empresários do ramo financeiro, e a grande mídia se cala sobre esse assunto, principalmente, a toda poderosa Rede Globo.

A Lava-jato, por exemplo, arrecadou de 2013 até hoje, cerca de 4 bilhões de reais. Isso é troco de bala relacionado ao esquema de corrupção da dívida pública e da sonegação de impostos dos grandes empresários, do qual a grande mídia faz parte.

Os grandes meios de comunicação no Brasil nos fazem de otários ao  tratar apenas da corrupção dos políticos, em especial, daqueles que têm base social e, não toca no assunto de sua própria corrupção, da corrupção das empresas, dos sonegadores de impostos e do esquema de corrupção da dívida pública.

De todo imposto que pagamos durante o ano, cerca da metade, ou seja, 50%, vai para o bolso dos bancos. Esses que financiam a grande mídia para distrair a nossa atenção. Metade do orçamento do Estado é direcionado para o pagamento à bancos e financistas. Quer dizer que o brasileiro trabalha para alimentar uma elite que vive de juros e sonegação de impostos.

Diante disso, não tenho dúvidas ao afirmar que a grande mídia tem o papel de nos emburrecer. De fazer com que nós fiquemos desconectados da realidade material. Ela precisa criar factóides para desviar a nossa atenção dos reais problemas nacionais. Esse é o papel de uma mídia corporativa num país onde a escravidão ainda não foi superada e a elite é intelectualmente provinciana.


Prof°. Wagner Aragão Teles.
Especialista em História Econômica e Social do Brasil.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

O Perigo da Deflação no Brasil

O governo anunciou hoje, que o Brasil vive a menor taxa de inflação desde o início do Plano Real. Acredito que isso não é para se comemorar!

Espero que todos saibam que a inflação baixa, de nada tem a ver com medidas propostas pelo governo Temer. A inflação baixa se deve à desaceleração da economia e sua retração. Ou seja, quer dizer que nós chegamos no fundo do poço!

Diante disso, os preços começam a cair porque as pessoas perderam a capacidade de compra por causa dos altos índices de desemprego. Cerca de 14 milhões de pessoas estão desempregadas. Com isso, a população deixa de comprar com o mesmo ímpeto que consumia num passado próximo. Com a diminuição do consumo, os preços começam a baixar, pois o mercado começa a se degladiar pelos consumidores existentes.

Na verdade, é provável, que a economia brasileira esteja em um processo de deflação - problema econômico pior do que a inflação - pois taxas de inflação baixas como as que foram apresentadas pelo governo, diante de aumentos brutais dos combustíveis e dos transportes, só demonstra que a deflação deve ser uma realidade concreta do país, atualmente.

O grande problema disso tudo, é que isso pode se tornar um ciclo vicioso se a política econômica do governo não for alterada.

O que quero dizer com isso?

Quero dizer que se o desemprego faz diminuir a atividade econômica, e consequentemente, a inflação, é provável que a diminuição da atividade econômica gere ainda mais desempregados, pois o empresariado começa a adequar a sua produção à demanda existe, diante da queda ou estagnação de preço dos seus produtos, demitindo assim, ainda mais trabalhadores.



Prof°. Wagner Aragão Teles.
Especialista em História Econômica e Social do Brasil.